quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Conheça sua cidade

"Fala um lugar legal pra ir", "O que tem de interessante para fazer aqui [na sua cidade]?", "Vamos num lugar famoso?"...
Muitas frases dessas surgem em diversos contextos, um deles é a representação cultural apresentada na cidade. Muita gente costuma procurar por um entretenimento, se possível único, para conhecer o ponto famoso que torna aquela cidade singular e registrar sua passagem por ali com uma selfie.

Uma questão comum àqueles que vivem nas metrópoles brasileiras, é não conhecer os "programas turísticos" que a própria cidade oferece. Diversas vezes as respostas para as questões acima são "Tem o MASP", "Podemos ir no Ibirapuera", "visite a Catedral da Sé".  Algumas pessoas que respondem a estas questões sequer foram ao local ou o apreciaram superficialmente, questão de costume.

Os japoneses tem o costume de visitar os diversos pontos turísticos que sua cidade (também seu país, quando possível) oferecem. Não apenas visitam, eles também procuram saber e entender a importância da representação daquele ponto para ser preservado até os dias atuais e assim preservá-lo também. Por exemplo, diversos Castelos são mantidos até hoje, Templos antigos, Parques, Museus (o Museu da Espada, Museu Edo-Tokyo).

Quando houver a possibilidade de sair com um japonês, em busca de um envolvimento cultural, tenha a certeza de prestar atenção no que ele lhe dirá / mostrará, pois com certeza terá a chance de ver um monumento, uma construção, algo incrível que é importante na história e tem grande valia.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

"Você precisa de alguma coisa?" "Não preciso de nada."

Eventos normalmente são divididos em algumas sessões. Equipes são responsáveis em realizar diversas atividades para permitir que cada uma delas estejam prontas para acontecerem durante o evento e permitam que todos possam usufruir. Há sempre um responsável geral que procura saber sobre as situações e cobrar que tudo esteja pronto no tempo esperado.

Quando estamos nesta situação, em certo horário, logo entram em contato:

"Tudo pronto?"
"Ainda não."
"Termine logo. Precisa de ajuda? Está faltando alguma coisa?"

A mesma conversa dos preparativos do evento no Japão seria:

"Tudo pronto?"
"Ainda não."
"Por favor, apresse-se."

Nos dois casos, a intenção é apressar a finalização dos preparativos. Mas uma coisa comum entre os brasileiros é pensar que algo está faltando ou que mais alguma coisa precisa ser feita e que não há como a pessoa fazer. Ou que de alguma forma, as pessoas podem auxiliar a finalizar mais rapidamente.

Para os japoneses, por ser uma responsabilidade assumida, não há a necessidade de ajudar, a pessoa cumprirá com o dever. Também, todo o material necessário para fazer a ação foi fornecido, ela não precisará de nada além. Caso algo saia muito do esperado no meio do caminho, rapidamente os responsáveis entrarão em contato para pedir por ajuda (ou o que mais for necessário) para fazer seu trabalho dentro do prazo, assim como para avisar de algum possível atraso.

A organização do evento no Japão costuma prever os trabalhos que precisam ser feitos e as atividades de cada equipe. A organização tem o tempo calculado e o que precisa para que as atividades sejam feitas. Assim àqueles que assumem fazer suas atividades precisam se organizar para cumpri-las e dificilmente vão precisar de algo extra para cumprirem suas atividades.

Esta é outra visão das formas de trabalho em grupo no Japão. Como as pessoas organizam-se previamente prevendo as atividades que serão feitas, pensando no tempo e artigos que precisam para realizar as atividades dos demais grupos, aqueles que vão fazê-las organizam-se de acordo com o que devem fazer. Assim prepara-se um evento inteiro de acordo com o que as pessoas fazem, sem que nada falte, sem precisar de mais nada. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Bicicleta na ciclovia?

Bicicletas são utilizadas em diversas modalidades de atividades: esportes radicais, lazer, exercícios cotidianos... Os japoneses pensam nas bicicletas também como meio de transporte. 

Para ir de um lugar ao outro rapidamente, também facilitam a carregar as compras do mercado... São práticas e econômicas no espaço para guardar/estacionar. Em alguns lugares cada um tem sua bicicleta e ela vem com  sua própria trava. Algumas cidades não ligam pra isso, ao encontrar uma bicicleta parada, pode-se utilizá-la a vontade. Isso mesmo, você pode encontrar uma bicicleta na frente do mercado de onde está saindo, usá-la para ir até sua casa. Estacioná-la na calçada e deixar ali que alguém a usará. Possivelmente, quando você sair de casa, ela não estará mais lá. Pode ser que você encontre outra ao longo do caminho e poderá utilizá-la por aí.

Como no Japão há pouco espaço e as ruas são construídas para os carros, normalmente as pessoas andam de bicicleta na calçada, dividindo-a com as pessoas. Como as pessoas as enxergam como meio de transporte, elas fazem o possível para conviver com estas. Em alguns lugares há uns "separadores" ao longo da calçada, deixando a parte mais próxima à rua para quem está com a bicicleta. 

Da mesma forma que as pessoas, quem está andando de bicicleta também atravessa na faixa de pedestres e aguarda os semáforos para estes. Ciclistas e pedestres seguem as mesmas regras já que utilizam a mesma via. 
Divertido, né?

domingo, 24 de agosto de 2014

Vamos cozinhar juntos?

Você sai para comer em grupo? Ou prefere ir na casa de alguém e ligar para algum lugar? Talvez alguém goste de cozinhar e os demais se organizam depois para lavar a louça, organizar as coisas... E quando mais de uma pessoa decide cozinhar? E quem gosta de lavar a louça? Tantas coisas para arrumar...

Japoneses gostam de cozinhar e gostam bastante de sair em grupo para comer. Para evitar confusões e ter que organizar a bagunça, muitos restaurantes tem panelas em suas mesas próprias para que todos possam cozinhar o que querem e comerem em conjunto. Refeições típicas como sukiyaki e yakiniku podem ser feitas nestes restaurantes.

Nestes locais cada pessoa tem seu próprio prato para pegar o que deseja comer bem como escolher o quanto deseja que a comida seja assada ou cozida. Cada um também se serve com a quantidade que deseja de arroz ou soba. Estes restaurantes tem porções variadas de carnes e vegetais já picados no tamanho que permite apreciar a refeição preocupando-se apenas em cozer os alimentos.

Comer em grupo é sempre divertido. Cozinhar também. Se você não conhecia uma forma de conciliar os dois, agora já sabe um jeito de se divertir sem uma das partes chatas. Porém precisa se lembrar que o restaurante fecha, a televisão do restaurante não passa a sua programação preferida e você também não pode jogar na televisão do restaurante. Então tire um tempo para comer e cozinhar com seus amigos. :D

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

"Como seu filho é inteligente!" "Quem dera! Ele só fala desse Japão..."

Quantas vezes passamos por uma situação em alguém nos elogia e nossos pais, amigos ou parentes fazem questão de corrigir com um tom negativo na voz?

"Seu filho é dedicado."
"Só se se o assunto for relacionado com vídeo-games, mas se tivesse um pouco desse esforço para estudar...!"

"Seu amigo parece entender bem do assunto."
"É mesmo um viciado em política, pois de resto..."

Isso é comum no Brasil, também é bem comum no Japão. Mais comum no Japão que no Brasil. Os japoneses respeitam a verdade, de mesma forma, consideram desrespeitoso permitir que qualquer pessoa tenha uma falsa impressão sobre uma situação ou sobre alguém caso conheçam algo que desminta a impressão obtida.

No Brasil quando alguém a quem não somos muito próximos nos faz um comentário quanto a um familiar ou amigo, costumamos agradecer ou exaltar alguns outros aspectos daquele a quem os comentários estão sendo feitos. O comportamento é diferente de quando lidamos com alguém mais próximo, em que falamos algo negativo tanto para que a pessoa não tenha uma falsa impressão quanto para evitar que os elogios subam a cabeça da pessoa elogiada.

Os japoneses falam a verdade, independente de quem for. Chefe, colega de trabalho, amigo, parente... Mais importante que a polidez quanto ao recebimento do elogio é a verdade que deve ser evidenciada. Essa "lição" serve tanto para corrigir a falsa impressão da pessoa que emitiu a frase quanto para a pessoa do assunto em questão, para que atente-se a realidade - não se deixe levar pelos elogios, você ainda tem que melhorar.

Não importa quantas vezes esta situação tenha acontecido, já sofremos com isso, como também já fizemos o mesmo com outra pessoa. Afinal, qual seria a postura certa ao ouvir um elogio de outra pessoa?

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Agradeço pela refeição

Você agradece antes de comer? E depois de comer? E comendo? Tanto faz? E dai? Agradecer a quê?

Indiferente a crenças populares ou significados religiosos, os japoneses dão muito valor ao alimento que têm a mesa. Para eles é muito importante o ato de receber o alimento que se teve tanto trabalho para ter. Há palavras próprias para isso, itadakimasu (que significa literalmente receber), dita antes da refeição, e gochisousama [deshita], para após a refeição. 

Num país com pouco espaço para cultivo, criação de animais, não muito rico em vegetação frutífera ... há muita importância em receber o alimento a mesa. Um desastre natural pode ser o suficiente para encerrar a colheita de um ano inteiro de trabalho. Todo trabalho deve ser valorizado. A palavra itadakimasu representa a gratidão ao trabalho de todos os agricultores, transportadores e pessoas envolvidas desde a plantação até a disponibilidade do alimento, até ter recebido o alimento. Gochisousama (que pode ser formalmente pronunciado como Gochisousamadeshita) representa o agradecimento àqueles que preparam a refeição. Ao pronunciar a palavra, coloca-se as mãos com as duas palmas juntas, como numa oração - em nossa visão.

Nos dias atuais este costume continua firme pelas pessoas mais velhas, estas entendem melhor o significado das diversas dificuldades enfrentadas pelo país e o valor que cada refeição tem ao chegar a mesa. E você? Agradece antes de comer?

sábado, 19 de julho de 2014

Trabalho em grupo

Apesar disto ser um pouco diferente ultimamente, este conceito é muito arraigado nos japoneses. O grupo é o foco, trabalha-se para que todos estejam em harmonia. É preferível uma conduta mais conservadora, em nome do grupo, a ter ações que destaquem individualmente as pessoas.

Todos são diferentes e tem habilidades individuais, mas o fato de apenas uma pessoa ser o centro ou beneficiada não é bom para os demais. Todos devem ajudar, todos ajudam a todos, todos se encaminham para o mesmo objetivo juntos. Seja para limpar uma casa, manter a organização, fazer sua parte no trabalho... é o ditado brasileiro: Se cada um fizesse a sua parte, o mundo seria um lugar muito melhor para se viver.

Pelos diversos problemas enfrentados pelo japoneses ao longo dos tempos, eles reconhecem que o trabalho em grupo é mais frutífero em busca de resultados se comparado ao trabalho de apenas uma pessoa. Para reconstruir-se após um desastre, o trabalho de todos ajuda. Não se vê benefícios num destaque solitário que não garante nada aos demais, possivelmente não ajuda mais ninguém além do que próprio. 

Como comentei, esta é uma tendência um pouco diferente nos dias de hoje, algumas vezes o individual é destacado, mas destaca-se quando esta vai a favor do grupo, em cooperação para facilitar o trabalho de alguns ou por ter mais facilidade para executar outras ações. 

Esta clareza de "a união faz a força" para os japoneses existe devido às experiências pelas quais eles passaram e ainda passam. As pessoas de um país que sofre tantos eventos naturais e procura viver em harmonia com o mundo vêem no outro que está ao lado importância e a luta pela busca de viver igual a si e com esta sintonia se juntam em busca de obter o melhor para todos.

E você? Me conte, como você vive?