sábado, 19 de julho de 2014

Trabalho em grupo

Apesar disto ser um pouco diferente ultimamente, este conceito é muito arraigado nos japoneses. O grupo é o foco, trabalha-se para que todos estejam em harmonia. É preferível uma conduta mais conservadora, em nome do grupo, a ter ações que destaquem individualmente as pessoas.

Todos são diferentes e tem habilidades individuais, mas o fato de apenas uma pessoa ser o centro ou beneficiada não é bom para os demais. Todos devem ajudar, todos ajudam a todos, todos se encaminham para o mesmo objetivo juntos. Seja para limpar uma casa, manter a organização, fazer sua parte no trabalho... é o ditado brasileiro: Se cada um fizesse a sua parte, o mundo seria um lugar muito melhor para se viver.

Pelos diversos problemas enfrentados pelo japoneses ao longo dos tempos, eles reconhecem que o trabalho em grupo é mais frutífero em busca de resultados se comparado ao trabalho de apenas uma pessoa. Para reconstruir-se após um desastre, o trabalho de todos ajuda. Não se vê benefícios num destaque solitário que não garante nada aos demais, possivelmente não ajuda mais ninguém além do que próprio. 

Como comentei, esta é uma tendência um pouco diferente nos dias de hoje, algumas vezes o individual é destacado, mas destaca-se quando esta vai a favor do grupo, em cooperação para facilitar o trabalho de alguns ou por ter mais facilidade para executar outras ações. 

Esta clareza de "a união faz a força" para os japoneses existe devido às experiências pelas quais eles passaram e ainda passam. As pessoas de um país que sofre tantos eventos naturais e procura viver em harmonia com o mundo vêem no outro que está ao lado importância e a luta pela busca de viver igual a si e com esta sintonia se juntam em busca de obter o melhor para todos.

E você? Me conte, como você vive?

sábado, 12 de julho de 2014

Respeite os mais velhos

Os japoneses cultivam muitos princípios parecidos com os nossos. Alguns princípios estão acima de outros. O respeito aos mais velhos, é um deles.

Questão de idade, hierarquia, tempo de vivência... todos estes itens refletem questão de respeito. As experiências vivenciadas são as melhores ferramentas para crescimento, quanto mais tempo em um lugar / com alguém, mais se aprende "dele" e com ele. A bagagem de aprendizado adquirida ao longo do tempo da vida é algo valioso. Não existe outra forma de adquirir este tipo de conhecimento se não vivenciando-o.

Dificilmente um aluno será mais velho que seu professor em uma sala de aula tradicional. Para atividades extras, quem ensina o mais novo na atividade é alguém que está a mais tempo se desenvolvendo. O mesmo para o mercado de trabalho, as pessoas começam pelos cargos menores e vão subindo, respeitando a graduação hierárquica. Em todos os ambientes, quem está a frente / acima tem sua seniôr-idade respeitada.

Por quê o uso da hierarquia invés da qualidade das habilidades? Os japoneses não destacam, como nós, suas habilidades singulares. Japoneses priorizam o grupo, as atividades para o grupo. Não importa quanto tempo se demore para aprender algo que não se sabe, toda a experiência acumulada tem valor fundamental, te dá fundamento para entender as dificuldades e as questões relacionadas. Afinal, um "não deu certo" também é um jeito de aprender, como diria Thomas Jefferson.

Quando vir um senhor de idade, respeite-o por tudo o que já vivenciou. Pode ser que seu conhecimento não tenha valor em uma determinada área, pode ser que não seja aplicável devido a mudanças ... Porém o tempo dedicado a obter tudo aquilo que pode ser aplicado no local correto, não haverá valor no mundo que pague.

domingo, 6 de julho de 2014

Casa Feliz

Em festivais no Brasil é  comum encontrar uma representação do Santuário (ou Templo, como conhecemos) Xintoísta. Podemos obter kamis, amuletos, entre outros artigos abençoados para pedir por nossos reais desejos. Um conflito interessante usual que ocorre são os brasileiros fazerem um pedido que para os japoneses é culturalmente compreendido de outra forma.

Certa vez um casal solicitou por um kami que contivesse escrito "casa feliz". Eles pensavam que seria a composição de casa com felicidade.
Para um japonês, uma casa feliz é uma casa livre de brigas, eles representariam isso por "Casa de Paz", é similar ao que brasileiros entendem por uma casa harmônica. Por isso o representante teve alguma dificuldade em entender o que deveria escrever para o casal.
O casal desejava ter uma casa alegre, com a animação que brasileiros vivenciam em seu cotidiano. Com esta descrição de sentimento de festividade, o representante pode escrever o desejo do casal corretamente no kami.

:)

E pra você, o que seria uma casa feliz?

sábado, 5 de julho de 2014

17o. Festival do Japão


Como amante da cultura japonesa, este ano, visitei o Festival do japão em São Paulo / SP. Passei por diversas situações inesperadas dentro do local. Ao sair do festival, encontrei com alguns amigos que conheci devido o contato com o Japão e afins. Contando sobre minhas aventuras no evento houve um questionamento inesperado: O festival está bom? / O que tem de bom no festival? Um tanto atônita com a pergunta, tentei entender um pouco melhor questionando: O que é bom para você? Uma das pessoas nunca havia ido ao festival. Para os demais, a resposta poderia ser resumida em uma explicação direta "tem comida e coisas para comprar".

Esta situação me lembrou o dia anterior, em que minha mãe havia me questionado sobre o festival, feito uma pergunta semelhante "Tem comida e livros. O que mais tem nesse festival?" Para alguém que não tem muito interesse, eu entendo este questionamento. Afinal a pessoa quer entender o que tanto te encanta em focar-se neste assunto que destoa tanto de suas terras. Mas a minha surpresa se manteve em perceber que mesmo aqueles envolvidos com isso focam-se na aparência vislumbrada por aqueles que não tem interesse.

O Brasil é o segundo país do mundo em que há mais japoneses. A maior colônia japonesa esta presente aqui. Por isso temos muitos descendentes de japoneses em todos os lugares, boa variação de marcas usuais japonesas em nosso cotidiano e um alto índice de estudos e eventos culturais relacionados ao Japão. Claro que o evento tem uma apresentação destes aspectos com a apresentação de estandes de empresas como Honda, patrocínio da Mitsubishi, apresentações culturais pela Fundação Japão (do Consulado Japonês), shows, danças, espaço dedicado a 3a. idade. Também espaços dedicados para saúde, atendimentos realizado pelo Hospital Nipo-Brasileiro, notícias impressas pela JBC (Japan Brazil Communication) - empresa responsável pela comunicação Brasil - Japão (e Japão - Brasil) desde 1995. Locais que mostram aspectos da cultura mais conhecida no mundo: cerimônia do chá, jardim japonês, workshop de shodô, exposição de quadros e fotos, exposição de ikebanas.

Neste ano, o festival tem como tema O caminho da Felicidade, relacionado a data seguinte ao festival (07/07 - Tanabata Matsuri.) Como representação japonesa, este tema e o contato que o festival oferece deveria nos leva a caminhar dentro de nós mesmos em reflexão a nossa felicidade.

...

Minha mãe deixou-se levar pelo meu amor, encantou-se com a ideia e perdeu-a em meio ao trânsito local para o estacionamento no evento. Meus amigos tem em si a ideia: tem comida e coisas para comprar. De fato, estou ansiosa para comer os dangos de Kyoto! Entretanto espero conseguir retratar e explicar situações que permitam esclarecer para quem não conhece os valores distintos do nosso usual, bem como refletir e obter conhecimento sobre essa cultura tão curiosa que é cada vez maior entre nós.